sábado, 11 de setembro de 2010

Descobri que tenho que crescer

O Gabriel estava com quase dois aninhos e só sentava com apoio de almofadas, nem tão pouco engatinhava, um dia fui preparar seu banho e o deixei segurando no vaso. Mas ele não tinha coordenação motora e caiu sem se proteger com as mãozinhas (me sinto culpada até hoje), a partir desse dia ele desmaiava por qualquer queda; por menor que fosse, até mesmo quando nossa ausência lhe incomodava.
Por esses motivos a pediatra nos aconselhou a levá-lo ao neurologista, após um Eletroencefalograma (EGG), o médico nos disse que estava tudo normal para os padrões de sua idade e que há muitas crianças que reproduzem um falso desmaio para chamar atenção, mas que por mais difícil que fosse, gostaria que ignorássemos quando ele desmaiasse. “Chorei muito, vim para minha casa arrasada, pensei como eu vou buscar ajuda para meu filho e o médico me diz estas asneiras, quase enlouqueci”.
A principio resisti tanto em aceitar quanto a fazer o que o neuro me aconselhou. Meu marido com os olhos cheios de lágrima me disse: “amor é para o bem de nosso filho, vamos tentar, se não conseguirmos, paciência”. Eis que um dia o Gabriel brincando e olhando se estávamos cuidando dele, segurando nas paredes de um lado para o outro até a porta do quarto, quando de repente a porta encostou-se a seu dedinho e ele olhou primeiro para nós e depois desmaiou, fiquei em pânico e meu marido me segurou para não socorrê-lo rapidamente como fazíamos todos os dias. Em seguida, ele chorou para eu o levantar e nunca mais fez isto.
Não sei o que o curou: se o teste do médico, as orações ou as simpatias, o fato é que nunca mais pisei nesse neurologista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário